COM A PALAVRA o deputado Leônidas Cristino

A entrevista dessa semana traz o posicionamento do deputado Leônidas Cristino (Pros-CE) sobre a vinda da presidenta Dilma Rousseff ao Parlamento; o deputado comentou ainda sobre investimentos e medidas necessárias ao País

11/02/2016 às 16:56:00 | 247 visualizações

* Com a palavra é um espaço para exposição de ideias, seja na área política, seja em outro campo do conhecimento, em que parlamentares do Pros terão a palavra para transmitir ao leitor uma mensagem honesta sobre os principais temas que permeiam a atividade parlamentar.

A entrevista dessa semana traz o posicionamento do deputado Leônidas Cristino (Pros-CE) sobre a vinda da presidenta Dilma Rousseff ao Parlamento para inaugurar o 2º ano dos trabalhos legislativos da 55ª Legislatura. O deputado comentou ainda sobre investimentos e medidas necessárias ao País.

Como o senhor avalia a vinda da presidenta Dilma Rousseff na abertura dos trabalhos legislativos de 2016?

Eu acho que foi muito positivo. Inclusive, eu defendo a vinda dela ao Congresso, mais especificamente à Câmara dos Deputados, há muito tempo. Há um ano defendi isso, pois ela deveria ter vindo, em julho, para mostrar a dificuldade do País; ter formulado uma reforma política-administrativa do seu governo; apresentar as propostas que ela estava mandando para discussão e aprovação na Câmara dos Deputados; e colocar, com muita clareza, o que o Brasil necessita.

Em 2015, a presidenta indicou que necessitava da colaboração do Congresso para aprovar matérias importantes para o setor econômico.

O que vimos ao longo do ano de 2015 foi um jogo de ódio e poder. Ódio da presidenta Dilma em detrimento do País. E quem foi prejudicado? O País, o povo brasileiro. Então, essa ida ao Congresso Nacional, na abertura dos trabalhos legislativos de 2016, foi muito importante. Eu acho que ela deve continuar e estar próximo do Parlamento, no sentido de buscamos uma solução, em conjunto, para tirarmos o Brasil dessa dificuldade.

A presidente Dilma, em seu discurso, ela prestou contas, indicou as necessidades do governo e conclamou as forças políticas para uma parceria na construção de uma agenda para o País. E isso, não estava acontecendo anteriormente.

Quais investimentos para 2016 o senhor destacaria?

A presidenta citou investimentos na área de hidroelétricas. Eu, na verdade, defendo que investimentos sejam crescentes nas áreas de energia renovável, sobretudo a solar e eólica.  Em dezembro de 2015, o Brasil assinou a COP 21 em Paris [21ª Conferência do Clima]. O acordo é no sentido de diminuir a emissão de gases de efeito estufa. Ela, em seu discurso, enfatizou os investimentos na área de energia hidrelétrica, então acho que isso foi equivocado.

Eu acho que a fala sobre investimentos em infraestruturas foi um ponto positivo, já que são determinantes para alavancar a economia. Quando você investe em infraestrutura, você aumenta emprego e melhora a renda dos trabalhadores, e com relação a esse aspecto, ressaltado pela presidente, eu acho positivo. Ela marcou ponto, nesse contexto.

Só para citar a área portuária, cuja pasta eu representei [Leônidas Cristino foi ministro-chefe da Secretaria Nacional de Portos entre 2011 e 2013], a presidente disse que em 2016 serão feitos 36 leilões de concessões na área de logística, como portos públicos, assim como a conclusão da análise de 41 pedidos de autorização, para portos privados. Lá há todos esses casos em fase de finalização e que serão divulgados em breve, possibilitando a esses empresários investimentos nos seus próprios portos.

A presidenta afirmou que há muitos projetos que devem ser entregues ainda em 2016.

Há também a sinalização de que Dilma irá entregar uma parte importante da transposição das águas do rio São Francisco. É necessário e imprescindível que essas águas cheguem aqui no nordeste, especialmente para os estados do Ceará, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, até julho. Caso contrário, nós teremos um colapso no abastecimento de água, e isso é dramático. Eu venho debatendo isso há muito tempo aqui na Câmara. A presidenta Dilma confirmou que não faltarão recursos para a finalização dessa primeira etapa da transposição. Foi muito importante para nós nordestinos essa afirmação da presidenta.

Qual mensagem o senhor deixaria para o Parlamento e para a sociedade brasileira?

A democracia reserva um papel importante para o Congresso Nacional. Hoje, tenho certeza que o Congresso brasileiro não correspondeu às necessidades do povo brasileiro no ano de 2015. O Parlamento ficou devendo ao povo brasileiro. O que está em jogo não é o PT e nem a presidenta Dilma. Eu, particularmente, gosto muito da presidenta Dilma, mas não está em jogo ela ou o PT. O que está em jogo é o destino de nosso país, e o Congresso Nacional, repito, não deu a reposta necessária para que o Brasil pudesse sair da crise.

Espero que os deputados ajudem o Brasil a sair desse atoleiro, dessa crise, e dê encaminhamento, com essa parceria entre o Executivo e o Judiciário, às propostas. Os três poderes devem estar, mais do que nunca, harmônicos. Independentes sempre. Mas, harmônicos, para que o Brasil possa se recompor e dá um futuro melhor para o nosso povo.

Foi triste ver alguns deputados vaiando a presidenta. Você não faz isso com uma pessoa que vai a sua casa. Não é correta a atitude de alguns deputados em vaiá-la. A presidência da República é um símbolo da pátria; eles vaiaram um símbolo de nossa pátria. 

Redação PROS na Câmara

Sem tags