Dr. Jorge Silva defende implementação da Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem

Em entrevista à Liderança do PROS, o deputado afirmou que é preciso dar maior visibilidade ao tema.

27/11/2015 às 10:02:00 | 240 visualizações

Estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia em parceria com a Bayer aponta uma maior preocupação do homem com sua saúde. Porém, ainda não o suficiente para buscar ajuda médica com regularidade e informações importantes para viver e envelhecer com mais qualidade de vida e bem-estar. Segundo a pesquisa, 51% dos homens não costumam ir ao urologista ou ao cardiologista com regularidade.

Em entrevista à Liderança do PROS, o deputado Dr. Jorge Silva (PROS-ES), coordenador da Frente Parlamentar de Atenção Integral à Saúde do Homem, afirma que é preciso mudar culturalmente as atitudes masculinas. 

O que a Câmara tem feito em relação à saúdaf do homem?
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, instituída em agosto de 2009 pelo governo federal, ainda não foi implementada de maneira efetiva. Na Câmara, por meio da Frente Parlamentar de Atenção Integral à Saúde do Homem, construída a partir de 2013, buscamos dar maior visibilidade ao tema. Em parceria com entidades de classe o nosso objetivo é executar essa política e promover a melhoria das condições de saúde da população masculina. Este mês aproveitamos o Novembro Azul e promovemos o 8ª Fórum de Políticas Públicas de Saúde do Homem. O encontro é importante porque amplia o debate com especialistas e reforça a relação entre sociedade e Parlamento.
 

Pesquisa do Centro de Referência em Saúde do Homem concluiu que mais de 50% dos homens só procuram tratamento quando algum sintoma atrapalha muito a rotina. Na sua avaliação porque esse público não procura um médico periodicamente?
Minha mulher, por exemplo, se cuida bem mais do que eu. As mulheres hoje vivem 77 anos e o homem 70, um dos motivos para isso é o fato de o homem não procurar ajuda médica periodicamente. Culturalmente o homem acredita ser maior que a doença, que a enfermidade não o atinge e isso contribui para que ele não invista em ações preventivas. Ele só procura ajuda na hora que a doença já avançou. É preciso que exista uma mudança cultural no pensamento masculino, mas isso não ocorre de uma hora para outra, mas “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.  Enquanto isso é preciso pensar em ações que contribuam para essa mudança.

Que ações seriam essas?
A criação de ambulatórios ou centros de referência destinados à saúde do homem, por exemplo. Acredito que esses seriam os caminhos para desconstruir essa cultura existente no público masculino. O Ministério da Saúde fez um trabalho interessante que demonstra a possibilidade dessa mudança. Atualmente os homens acompanham e participam do Pré-Natal junto com as mulheres. Até pouco tempo, esse tipo de comportamento não existia. É, sem dúvida, uma nova realidade.

Como médico, o senhor percebe que o público mais jovem está preocupado com a saúde, já é possível perceber uma mudança cultural?
Sim, com certeza. Eles estão mais preocupados com a autoestima. Praticam exercícios físicos, frequentam academia. As outras gerações não tinham isso, já são mudanças que vão influenciar no futuro.  

Que doenças mais afetam o público masculino?
Em primeiro lugar estão as doenças infecciosas e parasitárias. Em seguida, as relacionadas à saúde mental, como depressão, transtorno obsessivo e compulsivo. Em terceiro estão as doenças cardiovasculares, derrames e infartos, e atingindo cerca de 5% está o câncer.

O câncer da próstata é uma das preocupações em consultas urológicas. Entre os médicos, há divergências sobre a partir de que idade o rastreamento pelo PSA (Antígeno Prostático Específico) deve ser adotado para o diagnóstico. Qual o seu posicionamento em relação a isso?
Eu sou de uma geração urológica antes do aparecimento do PSA. Naquela época fazíamos o diagnóstico tardiamente, não tínhamos uma ação curativa em relação à doença, um número muito grande de homens morria devido a esse tipo de câncer. O advento do PSA, associado ao toque retal, nos permitiu fazer o diagnóstico precoce. Quando esses exames mostram alteração, o médico solicita uma biópsia da próstata e a partir desse resultado será possível definir qual o melhor tratamento. O problema é que o uso indiscriminado do PSA pode levar a um tratamento inadequado, incluindo cirurgias que podem acarretar sequelas, como impotência e incontinência urinária. Há uma discussão para que o PSA seja usado em grupos mais propensos a doenças, como afrodescendentes e pessoas com histórico familiar, e no restante da população, a partir dos 50 anos ou quando apresentar algum sintoma. O problema é que esse tipo de câncer não apresenta sintoma na fase inicial. Na minha avaliação é precisa ampliar o debate. Além disso, o bom senso deve sempre prevalecer e o diálogo entre médico e paciente precisa ser muito claro e objetivo, assim, uma vez diagnosticada a doença, será possível avaliar qual o melhor tratamento. 

Redação PROS na Câmara

Sem tags