Petrobras confirma investimento de R$ 400 bilhões nos próximos quatro anos

Em debate sobre os impactos da Operação Lava Jato, o deputado Valtenir Pereira ressaltou a necessidade de fortalecer a indústria naval, uma das mais afetadas do setor de óleo e gás.

13/08/2015 às 11:07:00 | 225 visualizações

O chefe de gabinete da Presidência da Petrobras, Armando Toledo, afirmou na quarta-feira (12) que está mantida a projeção de investimento de R$ 400 bilhões pela empresa nos próximos quatros anos. “É mais do que a soma de investimentos de todos os estados do País”, destacou, em audiência realizada pelo Fórum Permanente de Debates da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. O fórum, criado a partir de requerimento do deputado Valtenir Pereira (PROS-MT) e composto de trabalhadores, empresários e integrantes do governo, busca construir alternativas aos impactos negativos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, na atividade econômica nacional.

“Mesmo de forma enxugada, a Petrobras vai investir muito dinheiro, que vai ser distribuído de forma correta, sem superfaturamento ou propina; o dinheiro vai ser aplicado nas finalidades e isso gera um resultado fantástico”, disse Toledo. Segundo ele, corrigir os motivos que causaram a “desgraça” na empresa é “problema do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça”.

De acordo com Toledo, a Petrobras vai buscar parcerias, inclusive com outros países interessados, para ajudar a alcançar os objetivos da empresa. “A maior dívida corporativa do mundo tem que ser cuidada, e, para isso, é necessário trazer parceiros”, salientou. “Nem todos os objetivos anteriormente desenhados serão levados adiante, porque alguns projetos precisam de muito dinheiro, como tudo na área de petróleo”, observou. Conforme ele, a ideia é focar na exploração, produção, refinamento e distribuição de petróleo.

Demissões
Na avaliação de Valtenir Pereira, a Operação Lava Jato está “passando o Brasil a limpo”, mas está causando impacto negativo na economia e no emprego. “As empresas da indústria naval, por exemplo – estratégicas para a economia e para o emprego –, estão sendo fortemente afetadas”, explicou.

O deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ) pediu que a Petrobras arranje solução para pagar os estaleiros brasileiros, alguns ameaçados de fechar, com possíveis demissões em massa. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Edson Rocha, destacou que já ocorreu demissão em massa, de 1.300 trabalhadores, em estaleiro localizado na cidade, sem o devido pagamento de indenizações, e que ainda há 3.300 trabalhadores do estaleiro sem receber seus salários.

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis, Manoel Salles também ressaltou o perigo de fechamento de estaleiros da região. Já o vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria Naval (Sinaval), Franco Papini, afirmou que falta política industrial no Brasil.

Crescimento
O secretário de Comércio e Serviços do Ministério da Indústria e Comércio, Marcelo Maia, informou que um grupo de trabalho dentro do ministério está formulando uma agenda propositiva para a área, que deverá ser anunciada em breve. “Espero que a agenda gere um plano de ação em curto prazo”, disse.

O chefe da Coordenadoria de Conteúdo Local da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Marco Túlio Rodrigues, por sua vez, afirmou que a produção de óleo no Brasil tem perspectiva de grande crescimento ao longo dos próximos cinco anos, a despeito dos problemas conjunturais atuais. Ele observou, porém, que o setor está perdendo seu capital humano, com a demissão de diversos especialistas neste momento.

Marco Rodrigues reforçou que um dos grandes potenciais de crescimento econômico, especialmente no que se refere ao conteúdo local, é o de reparos e manutenção. Segundo informou, há no Brasil cerca de 55 sondas e 480 embarcações de apoio que praticamente não trabalham com conteúdo local, exceto no setor de serviços, mas que precisam de manutenção e reforma permanentes. “E é nesse tipo de serviço que podemos fortalecer o fornecimento de conteúdo local”, explicou. Ele sugeriu, inclusive, que para resolver problemas tributários seja possível que as empresas de manutenção possam usar as zonas de processamento de exportação como se estivessem exportando produtos e serviços.

Para o presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, deputado Vicente Cândido (PT-SP), é possível construir soluções para a situação do setor, diante das riquezas e da inteligência na área.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Redação PROS na Câmara

Sem tags