Debatedores cobram explicações do GDF para o caos na saúde

O debate, proposto pelo deputado Ronaldo Fonseca, ocorreu nesta quinta-feira (25), na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

25/06/2015 às 19:25:00 | 109 visualizações

Deputados e debatedores cobraram explicações do governo do Distrito Federal (DF) para o caos em que se encontra a saúde pública. Faltam remédios básicos, leitos e profissionais de saúde. A previsão, segundo o promotor de Justiça do DF Jairo Bisol é que todo orçamento previsto para o ano de 2015 seja gasto até o mês de agosto. O deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), que propôs o debate, lamentou a crise no DF. “E o que mais me assusta é a inércia, porque quem deveria está procurando solução não está. O Estado deve oferecer saúde para o cidadão, mas faltam serviços básicos. Até exames de hemograma foram suspensos”, afirmou.

Para o secretário de Saúde do DF, João Batista de Souza, um dos motivos que agravou a crise foi o desabastecimento na rede, que desde o segundo semestre de 2014 não recebia medicamentos. “Ao longo de seis meses, estamos tentando reverter esse quadro, mas ainda não conseguimos. No momento, estamos na nossa segunda etapa de compras. Além disso, há uma dívida com servidores, fornecedores e prestadores de serviços. Em alguns casos, as empresas não querem renovar o contrato com o governo porque ainda há débitos do ano anterior”, explicou.

De acordo com o secretário, o orçamento previsto para este ano, em torno de R$ 5 bilhões, é menor que o do ano passado e insuficiente para suprir as necessidades da saúde. “O orçamento vem sendo suplementando, mas ainda precisamos resolver muitas questões. Estamos correndo para superar as dificuldades. Ele informou ainda até 31 de julho novos leitos estarão disponíveis e que está autorizada a contratação de mais 705 servidores. 

Para a presidente do Sindsaúde, Marli Rodrigues, e para o promotor Jairo Bisol, o caos na saúde é um problema de irresponsabilidade nacional. “É preciso chamar o governo federal para que ele possa também assumir a sua parcela de culpa. Os limites estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal não podem ser mais importantes que a saúde brasileira”, afirmou Marli Rodrigues. “A verdade é que nas últimas três décadas não houve nenhum interesse na Política Nacional de Saúde. E o governo do Distrito Federal está pecando ao não definir prioridades orçamentárias. É preciso pedir uma explicação ao governador”, disse o promotor.

Responsabilidade
Para os debatedores, o governo do DF não pode alegar que não conhecia a situação da saúde do DF como desculpa para deixar que o setor continue como está. “Um candidato que pretende ser eleito tem de conhecer o que o espera. Outros governos já passaram pela mesma situação, não é desculpa”, ressaltou a representante do Sindicato dos Enfermeiros do DF, Lucilene Úrsula.

Ronaldo Fonseca também acredita que quem assume um governo precisa estar ciente dos problemas que irá enfrentar. “É claro que temos que cobrar do nosso governador, não se pode aceitar esse discurso de falta de conhecimento. Seria preciso instalar um gabinete de crise, porque é o que a situação pede”. O deputado Izalci (PSDB-DF) também cobrou explicações do governador e afirmou que o governo anterior e o atual nunca convocaram a bancada do DF para discutir os problemas. 

Redação PROS na Câmara

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