CPI da Violência contra Negros investigará formação dos policiais

Requerimento do Dr. Jorge Silva aprovado na comissão pede às corporações das polícias civis e militares informações a respeito das exigências para ingresso e permanência da carreira.

25/06/2015 às 15:52:00 | 225 visualizações

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Negros e Pobres aprovou nesta quinta-feira (25) requerimento do deputado Dr. Jorge Silva (PROS-RS) que pede diversas informações às corporações das polícias Civis e Militares de todos os estados brasileiros. O documento questiona, entre outros itens, o valor inicial do salário; o grau de escolaridade exigido para ingresso na carreira; a idade mínima exigida; quais carreiras policiais são submetidas a curso de formação como fase/etapa eliminatória dos concursos públicos, e quais delas estão relacionadas aos direitos humanos; e, finalmente, o número de policiais mortos quando estão em serviço e fora de serviço, a partir de 2010.

Como ressaltou Dr. Jorge Silva, os números da violência que alcançam a juventude negra no Brasil são alarmantes. “As audiências realizadas por esta CPI têm nos apresentado números estarrecedores que evidenciam, não só a vitimização dos jovens negros e pobres, mas também a dos policiais que morrem em função dos crimes relacionados a essa parcela dos nossos jovens”, afirmou. No entanto, avaliou, nos estados em que os policiais possuem grau de escolaridade e instrução mais elevados e recebem salários mais altos, esses números são mais baixos, “o que induz ao entendimento de que é possível estabelecer uma relação entre esses fatores e a vitimização da juventude negra e pobre”.

Para o deputado, é preciso conferir se os concursos para os policiais têm a preocupação de selecionar indivíduos preparados intelectualmente para a carreira que pretendem seguir. Também é fundamental, avaliou Dr. Jorge, verificar se há cursos de capacitação para os recém-aprovados com o objetivo de ensiná-los a lidar com as adversidades da profissão e, sobretudo, com as diferenças sociais, raciais, econômicas das vítimas. Ele entende que, uma vez constatado que há uma relação entre o grau de escolaridade, instrução e valor salarial dos policiais civis e militares com o número de vítimas fatais entre jovens negros e pobres, essas conclusões poderão auxiliar na busca por soluções para o problema, a começar pela alteração das condições de ingresso de novos policiais nesse mercado de trabalho. 

Redação PROS na Câmara

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