Antonio Balhmann critica método de ajuste fiscal do Executivo

Para o deputado, a desproporção entre a queda do setor industrial e o aumento dos lucros dos bancos é absurda, já que o dinheiro mobilizado pelo setor financeiro não financia a produção nacional.

06/05/2015 às 16:51:00 | 127 visualizações

Em audiência nesta quarta-feira (6) com o ministro do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, o deputado Antonio Balhmann (PROS-CE) criticou a forma como o Executivo está promovendo o ajuste fiscal para assegurar o superávit primário de 1,2% do PIB neste ano. Para o parlamentar, o ajuste não inova, “é a forma como sempre foi feito”. “Um ajuste é necessário, evidentemente, até porque ele representa a permanente busca do equilíbrio das contas, mas venderam para a presidente Dilma que esse é o único caminho, e não é”, disse.

Para o deputado do PROS, o cenário econômico não está ruim em todos os setores. Ele citou como exemplo a indústria e os lucros bancários. “Hoje, vemos a atividade industrial cair e o lucro dos bancos, especialmente os privados, só aumentar. Essa desproporção é absurda, já que o dinheiro mobilizado pelo setor financeiro não financia a produção nacional”, avaliou. As medidas provisórias do ajuste fiscal (MP 664 e 665), que já estão em votação na Câmara, mudam regras previdenciárias e trabalhistas, mas não mexem no sistema financeiro.

Balhmann ressaltou que, atualmente, a missão do ministro hoje é a de procurar espaços, dentro de um cenário de extrema dificuldade, onde seja possível trabalhar. Para o deputado, não faz sentido um país continental como o Brasil representar 0,6% da produção manufaturada do mundo. Além disso, afirmou Balhmann, é evidente a necessidade de mudança no sistema tributário brasileiro, “que é esdrúxulo, único no mundo”. “Claro que essas dificuldades econômicas têm consequências sociais. Não é a toa que, na minha cidade [Fortaleza], dois mil jovens morrem assassinados a bala por ano”, citou.

Exportações
O ministro, durante a audiência, defendeu uma política de comércio exterior mais forte para integrar o Brasil a novas rodas de negociação no mundo. Segundo Monteiro Neto, a pasta lançará ainda neste mês um plano nacional de exportações e o assunto deve ser encarado como "prioridade absoluta". As exportações, disse o ministro, podem se constituir em uma alternativa importante para manter o nível de atividade das empresas no País. "O Brasil nunca conferiu ao comércio exterior o status e a importância que deveria. Somos o 7º PIB do mundo e apenas o 25º país exportador. O Brasil responde por apenas 1,2% do comércio internacional", ressaltou.

Monteiro Neto também defendeu uma maior liberdade do Brasil em relação ao Mercosul. "O bloco não pode ser um fator que concorra para que o Brasil fique excluído de outros acordos em outras partes do mundo." o financiamento das exportações também é um dos pilares da nova política, na avaliação do ministro, que citou a China como exemplo de grande financiador do comércio exterior. O ministro também defendeu o ajuste fiscal que está sendo promovido pelo governo e pediu apoio dos parlamentares às medidas provisórias que tratam do assunto e tramitam no Congresso Nacional, ainda que elas sejam modificadas. De acordo com ele, as medidas são necessárias para recolocar o Brasil na rota de crescimento. "Sem o ajuste fiscal e sem o reequilíbrio macroeconômico, teremos muitas dificuldades para relançar a economia brasileira e garantir a retomada dos investimentos."

O debate foi promovido conjuntamente pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

Com informações da Agência Câmara de Notícias.

Redação PROS na Câmara

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