Problemas renais estão entre as principais causas de morte de portadores de deficiência

Em audiência na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada a pedido do deputado Dr. Jorge Silva, especialistas e parlamentares discutiram os problemas urológicos das pessoas com lesões medulares ou cerebrais.

29/04/2015 às 18:31:00 | 179 visualizações

O Brasil não possui um único protocolo para prevenção e tratamento de problemas urológicos em pessoas portadoras de deficiência. E os problemas renais e de bexiga estão entre os que mais levam à internação e morte dessa parcela da população – especialmente motivadas por graves infecções bacterianas e insuficiência renal.

Em audiência na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada nesta quarta-feira por sugestão do deputado Dr. Jorge Silva (PROS-ES), o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, seccional Distrito Federal, Aderivaldo Cabral Dias Filho, informou que os países que apresentam os melhores resultados na prevenção e tratamento de doenças urológicas em deficientes são os que seguem protocolos muitas vezes extremamente simples. Ele propôs, inclusive, que a sistematização usada pela Inglaterra inspire os gestores brasileiros nessa questão.

Até a década de 1960, informou o urologista, as doenças renais eram a primeira causa de morte das pessoas com lesão de medula ou cerebral. Atualmente, após a adoção de protocolos de procedimentos e principalmente depois da revolução do cateterismo intermitente limpo, tais doenças caíram para quarto lugar em causas de óbito. Dias Filho ressaltou, porém, que esses são dados de países que têm estatísticas sobre a questão, como Estados Unidos e Inglaterra. “No Brasil, não temos nenhuma ideia sobre a relação entre morte por complicações renais e lesões medulares ou cerebrais. O que sabemos é que a questão é muito grave e que, de fato, os principais problemas dos lesionados são exatamente os urológicos”, ressaltou.

O cateterismo intermitente limpo é o uso de sonda ao menos quatro vezes por dia para permitir que o deficiente esvazie a bexiga, uma vez que ele não tem como controlar a urina em razão da lesão medular. O ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia José Carlos de Almeida, também presente ao debate, informou ainda que o cateterismo limpo reduziu de 70% para 6% o índice de infecções urinárias nos portadores de deficiências. “O uso de sondas para os deficientes é tão relevante, e tão barato, quanto o uso de preservativo para quem tem o vírus HIV ou a vacina para a hepatite B”, comparou.

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) destacou que quem tem deficiência, como ela, “sabe como é caro fazer xixi”. “Temos que comprar sonda, fralda, água boricada, às vezes pagar alguém para ajudar, tudo isso para conseguir esvaziar a bexiga”, disse, ao informar que os problemas urinários são muito mais trabalhosos para os portadores de deficiência do que o impedimento de andar, por exemplo. “É caro para os que podem pagar, mas e os que não podem e não têm acesso a sondas porque o poder público não disponibiliza”, questionou.

Mara Gabrilli e a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) sugeriram que a comissão faça uma indicação ao Ministério da Saúde para estabelecer alguma norma que permita a distribuição gratuita de sondas aos portadores de deficiência. “É uma medida muito barata que vai evitar os altos custos de internação com as infecções ou insuficiências renais”, ressaltou Carmen.

Para o deputado Dr. Jorge Silva, a audiência foi de extrema relevância para que a comissão possa discutir e levar ao Ministério da Saúde sugestões de protocolos que podem ser adotados para a questão. “Temos que trazer os técnicos do Executivo aqui para discutirmos formas de pulverizar esse conhecimento para os estados e municípios com o objetivo de permitir que os agentes comunitários de saúde, que estão lá na ponta do sistema, possam estar sensibilizados para as dificuldades urológicas dos pacientes com deficiências”, ressaltou. 

Redação PROS na Câmara

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