Novo Código de Processo Civil vai diminuir a morosidade dos processos judiciais, afirma Hugo Leal

Segundo o parlamentar, a nova lei vai acelerar o andamento de ações cíveis, que incluem ações de família e de consumidores.

17/03/2015 às 15:14:00 | 219 visualizações

O deputado Hugo Leal (PROS-RJ), relator de recursos do projeto do novo Código de Processo Civil, sancionado ontem pela presidente Dilma Rousseff, afirmou que a nova lei vai acelerar o andamento de ações cíveis, que incluem ações de família, de consumidores, pedidos de reparação de danos, questionamento sobre contratos, entre outros. “Quem ganha é todo o Brasil, com um novo código à altura do nosso País. A morosidade dos processos judiciais não pode continuar a prejudicar a sociedade”, ressaltou. A reforma do texto teve o objetivo de simplificar processos e acelerar decisões da Justiça, inclusive eliminando parte dos recursos hoje permitidos.

Em Plenário, Hugo Leal analisou as manifestações ocorridas na última semana em todo o País. Ele afirmou que “erra frontalmente quem quer assumir o protagonismo dos movimentos, tanto o de sexta (13) quanto o de domingo (15)”. Na avaliação do parlamentar, não existiram partidarismos, mas sim manifestações em que as pessoas foram levar as suas reivindicações, com o mote central de combate à corrupção e à impunidade. No entanto, ponderou o deputado, é inadmissível numa manifestação popular alguém pedir intervenção militar ou volta à ditadura. “Quem não viveu essa realidade não tem noção do que significa isso. Estamos no pleno exercício do Estado Democrático de Direito. É impossível ouvirmos essas atrocidades.” 

Hugo Leal ressaltou que o processo democrático está consolidado. “A eleição já acabou e nós temos que fazer o dever de casa e criar o conjunto de soluções, que serão nascidas especialmente no Poder Legislativo. O nosso papel aqui é de protagonismo junto com o Executivo. Todos querem que o País cresça e que se fortaleça cada vez mais no seu processo democrático, especialmente contra a corrupção e contra a impunidade”, disse, ao afirmar que a legitimidade do governo atual foi concedida pelas urnas, e é com essa legitimidade democrática que as mudanças devem ocorrer.

Durante seu discurso, Dilma Rousseff declarou que o novo Código se identifica com as demandas de um novo País, que passou a ter nas últimas décadas um povo mais exigente e ciente de seus direitos. Ela ainda agradeceu a colaboração de advogados, de juristas e da sociedade civil na construção do novo CPC, e afirmou que essa intensa participação fez nascer um texto moderno e coerente.

Confira os principais pontos do novo Código de Processo Civil, de acordo com a Agência Senado:

Agilidade
Causas repetidas: Ações judiciais com o mesmo objetivo poderão ser julgadas de uma única vez por um tribunal, que mandará aplicar a decisão para todos os casos. O instrumento de resolução de demandas repetitivas trará rapidez para milhares de ações iguais contra bancos, concessionárias de serviços públicos (luz e telefonia), Previdência e FGTS.

Limites aos recursos: Para evitar que os recursos continuem sendo instrumentos para adiar o fim dos processos, com o propósito de retardar pagamentos ou cumprimento de outras obrigações, o novo CPC extingue alguns desses mecanismos, limita outros e encarece a fase recursal (haverá pagamento de honorário também nessa etapa, além de multas quando a parte recorrer apenas para atrasar a decisão).

Transparência
As ações serão julgadas em ordem cronológica de conclusão, ressalvados os atos urgentes e as preferências legais, ficando a lista de processos disponível para consulta pública. Os juízes serão ainda obrigados a detalhar os motivos de suas decisões, não bastando transcrever a legislação que dá suporte à sentença.

Menos conflitos
As pessoas serão chamadas pela Justiça para participar de audiências prévias para tentar acordo. Para isso, os tribunais serão obrigados a criar centros judiciários de conciliação e mediação, com profissionais especializados.De modo geral, também poderá haver acordo sobre procedimentos do processo, como a definição de calendário ou a contratação de perícia.

Ações de família
Acordo: o juiz deverá dispor do auxílio de profissionais de outras áreas para facilitar ao máximo a conciliação em processos de divórcio, filiação, guarda de filhos e outros temas de família. A audiência se dividirá em quantas sessões forem necessárias para viabilizar o consenso, sem se afastar as providências para evitar a perda de direitos.

Abuso: em casos relacionados a abuso ou alienação parental, a presença de especialista na tomada de depoimento da criança ou incapaz passa a ser obrigatória.

Prisão: é mantida a prisão fechada para o devedor de pensão, mas agora com a garantia de que ficará separado dos presos comuns.

Garantia para credores
Fica mantida a regra atual que permite o bloqueio e penhora antecipada (antes da sentença) de dinheiro, aplicações recursos e outros bens do devedor, para assegurar o pagamento de crédito de terceiros. A novidade é que, para garantir a execução da sentença, o juiz poderá determinar a inclusão do nome do devedor em cadastros de inadimplentes.

Reflexos nas empresas
Personalidade Jurídica: o novo Código definirá procedimentos para a desconsideração da personalidade jurídica das sociedades, medida que pode ser adotada em casos de abusos e fraudes.Assim, os administradores e sócios respondem com seus bens pelos prejuízos. Hoje os juízes se valem de orientações jurisprudenciais ainda consideradas incompletos.

Intervenção: Saiu do texto final, em último momento, regra que atribuía aos juízes poder para determinar a intervenção judicial em empresas, para fazer valer uma sentença com obrigação a cumprir.

Conquistas para advogados
Honorários: os advogados públicos poderão receber, além do salário, honorários quando obtiverem sucesso nas causas. Lei futura definirá condições e forma de pagamento. Já os advogados liberais, nas ações vencidas contra a Fazenda Pública, agora terão tabela de honorários de acordo com faixas sobre o valor da condenação ou do proveito econômico. Os honorários também serão pagos na fase dos recursos.

Descanso anual: Para que os advogados tenham férias e não percam prazos, os processos ficam suspensos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro. Nesse período também não haverá audiências nem julgamentos, sendo mantidas demais atividades exercidas por juízes, membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública, além dos serviços dos auxiliares da Justiça.

Participação social
Será regulamentada a intervenção do amicus curiae em causas controversas e relevantes, para colaborar com sua experiência na matéria em análise, em defesa de interesse institucional público.

Poderá ser uma pessoa, órgão ou entidade que detenha conhecimento ou representatividade na discussão. A participação poderá ser solicitada pelo juiz ou relator ou ser por eles admitida, a partir de pedido das partes ou mesmo de quem deseja se manifestar.

Com informações da assessoria do deputado Hugo Leal

Redação PROS na Câmara

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