Presidente de sindicato aponta falta de estrutura para a Polícia Federal atuar na segurança de fronteira

Policial participou de audiência na Comissão de Integração Nacional sobre combate às drogas na fronteira e reestruturação da PF.

08/04/2014 às 12:00:00 | 257 visualizações

O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal, Flávio Werneck Menegheli, informou nesta terça-feira (8) na Câmara, que o sistema de segurança pública no País está falido e que a Polícia Federal está sem pessoal e com a estrutura sucateada para realizar o trabalho de segurança marítima, aeroportuária e de fronteira – ação conhecida como polícia de soberania. Ele participou de audiência pública na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra) para discutir o combate às drogas na fronteira e a reestruturação da PF.

Segundo Werneck, existem 150 policiais federais para garantir a segurança nos 9 mil quilômetros de fronteira molhada do Brasil; cerca de 1,5 mil servidores para atuar nos 15 mil quilômetros de fronteira seca; e, na maioria dos aeroportos do País, o serviço de segurança e de imigração é feito por funcionários terceirizados. “O sistema de segurança está falido e o Ministério da Justiça e a Direção Geral da PF não têm feito nada para melhorar a estrutura da instituição”, criticou.

Como uma das soluções para começar a melhorar a situação na PF, Werneck defendeu a aprovação da PEC 51/13, em tramitação no Senado, que redefine o papel das polícias e das responsabilidades federativas nesta área, a partir da transferência aos estados da autoridade para definir o modelo policial. O texto estabelece, entre outros pontos, a desmilitarização das polícias, a valorização do município no sistema de segurança e a exigência de uma carreira única por instituição policial.

Reestruturação
Para a presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal, Leilane Oliveira, a falta de estrutura da PF pode ser percebida nos índices de apreensão de drogas no País. Segundo informou, em um ano, foram apreendidos 31 quilos de cocaína em Roraima, 44 no Amapá, 816 no Pará e 4.758 no Mato Grosso. “Não entrou só isso no Brasil, mas não temos equipe”, apontou.

Na cidade de Assis Brasil (AC), por exemplo, Leilane informou que o posto de controle de entrada de pessoas e carga funciona das 8h às 20h. “Por falta de pessoal, a fronteira com a Bolívia nesta cidade fica totalmente aberta”, relatou, ao destacar que 70% da cocaína que entra no Brasil vem da Bolívia. Em Assis Brasil, prosseguiu, há dois policiais e um servidor da área administrativa fazendo todo o trabalho na fronteira.

Para Leilane, é preciso haver vontade política para mudar a estrutura de segurança no Brasil. “Queremos manter o trabalho que é da obrigação da Polícia Federal, mas para isso é preciso garantir estrutura”, afirmou.

Dentro de um processo de reestruturação de carreira na PF, ela propõe que o servidor da instituição não tenha as mesmas atribuições de um servidor público federal comum, uma vez que lida com dados sigilosos. Leilane sugere ainda a criação de cargos de técnicos e analistas da PF e a regulamentação das atividades dos servidores administrativos e dos policiais. “Não há como combater o crime organizado com uma polícia desorganizada e sem estrutura”, ressaltou.

O presidente da Cindra, deputado Domingo Neto (Pros-CE), informou que o debate teve como objetivo apontar para os parlamentares formas de ajudar na solução dos problemas que a PF vive no combate às drogas e na segurança de fronteira.

Redação PROS na Câmara

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